O mundo entre as grandes guerras

O mundo entre as Grandes Guerras estava imerso em mudanças geopolíticas como resultado da transferência do centro mundial da Europa, devastado pela guerra, para os Estados Unidos, uma nação triunfante. Também chamado de período entre guerras, inclui o período entre o final da Primeira Guerra Mundial e o início da Segunda Guerra Mundial.

A esperança que acabou com o primeiro conflito e que levou à criação da Liga das Nações para evitar novas guerras, logo foi superada pelos acontecimentos. Por um lado, muitos autores consideram que os tratados com os quais a Primeira Guerra terminou não foram muito bem delineados.

Os perdedores, especialmente a Alemanha, encontravam-se em uma situação que consideravam humilhante; e os vencedores, na Europa, não tiveram força suficiente para manter a estabilidade. A isto devemos acrescentar o isolacionismo americano, pouco disposto a ajudar a Europa, especialmente quando a Crise de 29 estourou.

O regime socialista da União Soviética tornou-se outra fonte de instabilidade no continente. Com este panorama instável, o surgimento de ideologias fortemente nacionalistas na Alemanha, Itália e Espanha tornou quase inevitável um novo concurso.

Situação social, política e econômica

Quando a Primeira Guerra Mundial terminou, a Europa foi praticamente destruída. Além dos milhões de perdas humanas, o tecido econômico era inexistente, assim como os sistemas de comunicação. Além disso, o mapa do continente teve que ser reconstruído completamente após o desaparecimento de grandes impérios.

A maioria dos países tinha dívidas impagáveis ​​e todos os setores produtivos estavam paralisados. Isso foi importante ao negociar a rendição dos estados perdedores, que foram solicitados por grandes somas como pagamento por suas ações.

Desde o início, ficou claro que a Alemanha não estava disposta a resolver o que foi acordado no Tratado de Versalhes e continuou a ser um foco de conflito. Somente na segunda metade da década de 1920, especialmente na França e no Reino Unido, a vida se recuperou um pouco antes da guerra.

O mundo virou-se para os Estados Unidos, especialmente na economia. Londres deixou de ser a capital financeira e Nova York assumiu.

Aumento do poder dos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, sempre houve uma luta política entre os defensores do isolacionismo e os do intervencionismo no exterior. Na Primeira Guerra Mundial, os segundos haviam vencido, mas nada mais para terminar, o país se fechou.

A tentativa do presidente Wilson de entrar na recém-criada Liga das Nações foi rejeitada pelo Congresso.

No aspecto econômico, tudo parecia ir muito bem. O país aproveitou os milhares de refugiados europeus que emigraram em fuga da pobreza e a indústria se desenvolveu rapidamente.

Os anos 20 foram uma época de decolagem econômica, social e tecnológica, com o surgimento de grandes fortunas e um mercado de ações que continuava subindo.

Situação política na Europa

As cicatrizes da guerra não permitiram que a situação política na Europa se acalmasse.

Por um lado, a Alemanha não estava satisfeita com o que foi assinado no Tratado de Versalhes. O custo das reparações de guerra que teve que pagar e a perda de vários territórios foram aspectos que nunca aceitaram e que, a longo prazo, foram utilizados por Hitler para alcançar o poder.

Por outro lado, os países vencedores foram grandemente enfraquecidos. Isso tornou impossível para eles forçar os alemães a cumprir o que foi acordado. Sem a ajuda dos Estados Unidos, que preferiram não interferir, a França e a Grã-Bretanha não foram suficientes para manter a ordem.

A situação piorou quando Mussolini tomou o poder na Itália e, mais tarde, quando o fascismo triunfou na Espanha após a guerra civil.

A União Soviética

O flanco oriental também não alcançou estabilidade alguma. A União Soviética procurou expandir suas fronteiras, estendendo sua influência para os países bálticos e parte da Polônia.

O resto da Europa Oriental, onde todas as fronteiras haviam sido reestruturadas, era um barril de pólvora pronto para explodir.

Crise de 29

Mesmo os Estados Unidos não iriam se livrar da instabilidade, embora no seu caso tenha sido motivada pela grande crise econômica que começou em 1929. Essa crise, que se espalhou pelo mundo, acabou com qualquer projeto de solidariedade internacional. O nacionalismo econômico foi a resposta quase em toda parte.

Os historiadores apontam que o grande culpado desta crise foi a dívida contratada para comprar produtos. A consequente inflação acabou causando inadimplência em todas as áreas, tanto nas famílias quanto nas empresas. Isto foi seguido por demissões e pânico, o que piorou a situação

Apesar da tentativa de cooperação que a Conferência Econômica Internacional de Londres significou em 1933, os líderes mundiais não conseguiram chegar a acordos comuns.

Por exemplo, a Grã-Bretanha optou pelo protecionismo e certamente pelo isolacionismo. Nos Estados Unidos, o presidente Roosevelt iniciou o New Deal, que também é isolacionista.

Por fim, na Alemanha, que sofreu, como outros, a crise, optou por fortalecer a indústria militar como forma de acelerar a economia, além de recuperar os territórios perdidos.

Situação do socialismo, socialismo nacional e fascismo

Socialismo

O socialismo como ideologia nasceu no século XIX, baseado nos trabalhos de Karl Marx. Ele queria a mudança da sociedade capitalista para uma em que os trabalhadores fossem os proprietários dos meios de produção. Desta forma, ele queria organizar uma sociedade sem classes, em que não houvesse exploração do homem pelo homem.

O grande triunfo do comunismo, uma doutrina nascida do socialismo primitivo, ocorreu na União Soviética. Lá uma revolução triunfou em 1917, que acabou com o governo dos czares.

Os nazistas alemães eram totalmente anticomunistas, embora seja verdade que ambos os Estados chegaram a assinar um pacto de não agressão. Segundo a maioria dos historiadores, nem Hitler nem Stalin estavam dispostos a cumpri-lo.

Socialismo Nacional

O nacionalismo alemão depois da guerra foi o nascimento do Partido Nacional Socialista, conhecido como partido nazista. Seu líder era Adolf Hitler e tinha certas características semelhantes ao fascismo, embora com uma carga nacionalista baseada nas raízes do romantismo alemão.

As razões para o sucesso desse movimento político foram variadas, mas quase todas com a mesma origem: o sentimento de humilhação como um país que era o Tratado de Versalhes.

Os líderes durante o período chamado República de Weimar ficaram impressionados com o efeito da Grande Depressão causada pela crise econômica. Socialmente, as altercações aconteceram, com grupos comunistas e nazistas praticamente lutando abertamente na rua.

Hitler foi capaz de transmitir aos seus compatriotas uma mensagem para recuperar o orgulho. Além de suas teorias racistas, ele propôs promover a militarização para desfrutar da independência, que se perdeu, segundo ele, diante dos poderes vitoriosos da guerra anterior. Ele chegou ao poder prometendo recuperar o território perdido.

Fascismo

Embora, com a chegada da guerra, o regime fascista italiano tenha vindo da Alemanha, a verdade é que Mussolini chegou à presidência de seu país com grande energia.

O fascismo italiano baseava-se num nacionalismo ligado ao antigo Império Romano. Esse sentimento de exaltação nacional foi acompanhado por um componente econômico baseado no corporativismo. Ele desprezava as instituições liberais, inclusive os partidos políticos.

Para a Segunda Guerra Mundial

A Segunda Guerra Mundial estourou na frente européia em 1939, depois que a Alemanha invadiu a Polônia. A frente oriental, com o Japão enfrentando os aliados, teve como desencadeadores a ocupação da China e, posteriormente, o ataque a Pearl Harbor.

Invasão dos Sudetos e da Checoslováquia

O fim do período entre as guerras não fez mais do que confirmar os sentimentos ruins transmitidos pela política européia nos últimos anos. Os nazistas cumpriram sua promessa de ocupar os Sudetos, um dos territórios que haviam perdido anteriormente.

A princípio, as potências européias tentaram evitar a guerra, a ponto de aceitar essa invasão. No entanto, logo após a Alemanha ocupou toda a Tchecoslováquia, sem respeitar o que foi acordado.

Invasão da Polônia

A essa altura, ficou claro que Hitler não iria impedir sua política expansionista. Seu próximo alvo era a Polônia, que havia assinado acordos de defesa com os britânicos.

A invasão começou em 1 de setembro de 1939. Os aliados lhe deram um ultimato: se aposentar em dois dias. Ao ignorar este aviso, o Reino Unido, a Austrália, a Nova Zelândia, a França e o Canadá declararam guerra à Alemanha. Esta guerra durou até 1945.